Sábado, Julho 04, 2009

Esclarecimento

Diante das várias insinuações, quero deixar claro: não tenho nenhum vínculo com o senador José Sarney nem fui agraciado por nenhum dos atos secretos atribuídos ao ilustríssimo imortal da Academia Brasileira de Letras. Se não escrevi nada a respeito da crise no Senado e dos podres envolvendo o presidente da casa foi porque nenhuma das notícias recentes me surpreendeu. E, honestamente, não devia surpreender a ninguém...

Classificação S&P:
José Sarney:
cai de "D+" para "D"

Domingo, Junho 28, 2009

Rebelde sem causa

Passei este fim de semana "solteiro". Juliana e André estão desde quinta-feira em Belo Horizonte, e aproveitei para fazer tudo (ou quase tudo) que a solidão podia me proporcionar:

- Comi comida japonesa “fast food”;

- Comprei meu netbook (pela internet, depois de testar na loja do shopping);

- Sequei a garrafa de Ballantine’s que há tempos me convidava para um gole;

- Assisti a dois filmes em DVD um pouco "excêntricos" para o gosto de uma Juliana acostumada ao cinema iraniano: Natureza Quase Humana (Classificação "A-") e Barton Fink (na verdade, revi) (Classificação "A-");

- Passei o domingo inteiro sem pôr os pés fora de casa

Tudo muito bom, tudo muito bem. Agora, só quero que toda essa liberdade acabe o quanto antes, do contrário vou enlouquecer...

Sábado, Junho 27, 2009

Invencível

Não sei quanto a você, leitor deste S&P, mas para mim Michael Jackson era uma espécie de primo distante e meio maluquinho, daqueles que toda família tem. Tivemos uma convivência muito próxima durante a infância, quando o nome dele era praticamente sinônimo de música nas rádios. E quem nunca tentou imitar seus passos mágicos ou afinar a voz ao cantar os grandes sucessos que atire o primeiro disco Thriller...

Nos afastamos progressivamente com o passar do tempo. No início, chegava a achar graça das suas excentricidades: o casamento de fachada com a filha do Elvis, as catastróficas cirurgias plásticas, a entrevista "antológica" para a Glória Maria no Fantástico ("I love you Brazil!!!")...

 

Nos últimos tempos, as notícias que ouvia sobre ele vinham sempre truncadas, pela metade, e eram recebidas com uma curiosidade distante. Mas, mesmo no período de decadência que se seguiu aos escândalos, nenhuma festa que se prezasse deixava de tocar Don't Stop 'til You Get Enough, e ninguém deixava de dançar até se acabar.

Fácil dizer agora, mas eu torcia de verdade para que ele desse a volta por cima, ressurgisse com uma forma que lembrasse o Michael dos bons tempos e, principalmente, com um disco que honrasse a tradição da minha infância. Valeu, primo!

Classificação S&P:
Michael Jackson: "A"

Terça-feira, Junho 23, 2009

Brevíssimas

- O mundo dá voltas. E aqui estou eu, quase 15 anos depois, novamente às voltas com o mundo da informática, desta vez como repórter de telecom e TI.

- As pessoas que tinham blogs decidiram trocá-los por twitters ou é só impressão minha?

- Fui à coletiva do lançamento dos novos canais e pacotes de TV digital em alta definição da Net e concluí: os livros estão mesmo condenados.

- Alguém aí tem uma boa sugestão de marca de Netbook? Ou melhor: vale a pena comprar um Netbook?

- Com a vida pelo avesso e os horários desregulados pela nova função, não esperem atualizações constantes deste S&P. Mas isso não é novidade, certo?

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Processo criativo

Eu sou um escritor problemático, admito. Se antes minhas ideias geniais (ao menos para mim) sucumbiam antes de chegar à décima página, o problema agora é o que fazer com os romances terminados.

Tenho dois livros prontos e parados aqui no computador - o segundo, na verdade, a primeira parte de uma tetralogia (chique, não?) que não sei se pretendo lançar em um único volume ou de forma seperada.

Apesar de concluídos, os romances não estão revisados, ou seja, ainda estão longe do formato que eu gostaria que tivessem. O problema é que, justamente nessa fase, uma nova grande ideia me leva a abandonar essas histórias e começar outras, as quais, temo eu, podem ter o mesmo fim, ou seja, não terem fim.

Conversando sobre isso, alguém me perguntou se essa frustração com as etapas seguintes do processo criativo tem a ver com o fraco desempenho das vendas de O Roteirista. Na hora eu neguei, mas agora começo a ver relação, ainda que involuntária, entre os acontecimentos.

Acho que o blog passa por esse mesmo dilema. Se por um lado este S&P resolve esse meu problema imediato de publicar o que tenho vontade, por outro acaba atrapalhando meus outros planos sobre o que escrever na internet. Mesmo sem saber o destino deste espaço, decidi fazer uma faxina: excluí da lista de favoritos os blogs desatualizados e acrescentei outros que achei por essas andanças por esse mundão da internet.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Passado a limpo

Como já dizia aquele velho clichê, de tédio eu não morro. Muita gente veio me perguntar sobre o fim da Gazeta Mercantil, a maioria nem sequer sabia que eu trabalhava lá. É importante deixar claro que os problemas do jornal eram antigos e nada têm a ver com a crise do jornalismo impresso tanto alardeada pelos próprios jornais.

Eu não cheguei a presenciar os últimos dias da redação. Despedi-me dos colegas na segunda-feira passada e amanhã já começo no novo emprego. Na verdade, o mesmo emprego de onde saí há nove meses e amavelmente aceitou de volta o filho pródigo.

Nem preciso dizer que a minha vida está de pernas para o ar. Não me cobrem, portanto, atualizações frequentes no blog daqui por diante. De todo modo, preciso mesmo dar um jeito definitivo neste espaço, sob o risco de acabar tendo o mesmo fim que a Gazeta...

Domingo, Maio 24, 2009

Páginas da história

Ser testemunha do apagar das luzes da Gazeta Mercantil tem sido uma das experiências mais desagradáveis da minha carreira profissional, e olha que ela não tem sido nenhum mar de rosas. Neste domingo de plantão, provavelmente o último que farei por aqui antes de encarar novos velhos desafios, tento me lembrar do máximo de detalhes possível para poder contar a alguém, algum dia. Se é que o enterro de um dinossauro da mídia interessa mesmo a alguém nesse mundo em que os jornais, como um todo, são apontados como seres em extinção...

Sexta-feira, Maio 15, 2009

O tempo passa, o tempo voa...

A oposição faz o papel dela ao tentar taxar o Companheiro Lula de confiscador da poupança alheia. A dura verdade, porém, é que alguém, algum dia, precisará mexer de vez no rendimento da caderneta. A questão é cristalina como a reputação dos nossos digníssimos deputados e senadores: nenhuma economia pode ter uma aplicação financeira que garanta um rendimento mínimo para todo sempre, amém, seja ele qual for.

A sacanagem dessa história é: por que os nobres companheiros petistas não pensaram em fazer as mudanças quando os juros estavam em alta e, portanto, a poupança não valia nada?

Terça-feira, Maio 12, 2009

Sinédoque, São Paulo

Não tive condições financeiras nem logísticas de ir ao show do Oasis. Como prêmio de consolação – e bota consolação nisso – acabei indo ao cinema assistir à estreia do roteirista Charlie Kaufman na direção de um filme.

Não gastarei minha lábia tentando resumir a história de Sinédoque, Nova York, até porque qualquer tentativa seria em vão, tal a peculiaridade da trama. Quem assistiu a Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças e/ou Quero ser John Malkovich, dois dos filmes escritos por Kaufman, sabe do que estou falando.

Os jogos metalinguísticos propostos pelo roteirista sempre me agradaram, até por conta da identificação com a obra deste vosso escriba, mas neste filme ele decidiu radicalizar, um pouco como eu tentei em Regressão, o meu segundo romance, ainda inédito. Tal como eu, porém, e sem a figura de um diretor para "atrapalhar", parece que desta vez ele exagerou, tanto no quebra-cabeças proposto ao espectador como na melancolia que contamina os personagens.

Para a crítica, foi justamente a figura de um diretor "de verdade" que faltou ao filme. Eu discordo. Acho que ninguém além do próprio roteirista conseguiria levar essa história para as telas. O resultado pode até não ter sido o ideal, mas do ponto de vista criativo foi certamente o melhor.

Classificação S&P:
Sinédoque, Nova York: "B+"
Charlie Kaufman: "A"
(continua sendo um dos roteiristas mais criativos e interessantes do momento)

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Momento Warren Buffett

Tenho recebido alguns emails desaforados de amigos que reclamam comigo por que não avisei que "a crise financeira acabou". "Você, que entende tanto de economia, podia ter falado que era a hora de entrar na bolsa", dizem eles. O pretexto da mensagem é desejar-me melhoras depois da cirurgia que fiz para a retirada de pedras nos rins, mas a menção ao tema aparece apenas no pé da mensagem, quase como um "P.S.".

Em vez de responder diretamente aos emails, deixo aqui algumas considerações sobre o tema:

1) Nem o mais otimista dos gurus do mercado financeiro esperava uma recuperação tão rápida da bolsa;

2) Acreditem, a crise não acabou! Nada impede que amanhã (ou mesmo hoje) os ventos voltem a soprar contra o mercado e a bolsa volte a cair forte;

3) A bolsa é um investimento de alto risco. Só ganha muito quem se arrisca muito. E eu não jamais recomendarei investimento para ninguém, até porque...

4) Este vosso escriba não pode investir diretamente em ações. Por lidar diretamente com o mercado financeiro, sempre existe a possibilidade de que alguém desconfie do uso de alguma informação privilegiada, portanto, o melhor a fazer é não dar margem a especulações de mau gosto.

Sexta-feira, Maio 01, 2009

Encosto

Pedras nos rins, carro roubado, cheque clonado, speedy cobrado indevidamente (eu assino o Vírtua) pela maldita Telefônica. E ainda querem que eu arrume tempo para atualizar o blog?

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Leitura derramada

Se houve algo de positivo durante o meu período de convalescença (veja as partes I e II da saga), foi o tempo de sobra para ler. Foram dois livros no período de uma semana, um excelente e outro muito ruim. Comecemos pela parte boa:

Confesso que não cheguei a me animar com os primeiros comentários a respeito de Leite Derramado, o novo romance do Chico Buarque. Houve uma comoção entre a crítica literária com o livro, principalmente por conta de uma suposta influência machadiana na trama.

Digo supostamente porque, no fundo, essas discussões acadêmicas ficam pequenas diante do prazer proporcionado pela leitura. Prazer e – confesso – raiva, porque é difícil não sentir um pouco de inveja do Chico. Não bastasse ser um gênio na música e ser bom no futebol, o cara ainda tinha que estraçalhar na literatura?

Talvez o fato de o outro livro que li (Cordilheira, de Daniel Galera, sobre o qual escreverei oportunamente) ser tão fraco tenha me ajudado a lembrar o quão difícil e penoso é o ofício de escrever e, por isso, gostar ainda mais do romance do Chico.

Relevando a premissa inicial de que dificilmente um moribundo teria forças para falar a torto e a direito como o centenário narrador (e eu, que estive recentemente no hospital, sei bem disso), Leite Derramado é magnificamente bem escrito. Sem trocadilho, deleitei-me enquanto me perdia nas memórias confusas e desconexas do velho Eulálio.

Mas, afinal, Matilde (Capitu), traiu ou não o nosso antiherói? Não importa. O melhor a fazer é deixar essa discussão para os críticos...

Classificação S&P:
Leite Derramado: "A"
Chico Buarque: "A-"
(a inveja mata...)

Segunda-feira, Abril 20, 2009

E.R. - Parte II

Cena 2: Interna, enfermaria do hospital
Minutos após ministrar a morfina, o paciente parece se sentir melhor. Após a realização dos exames, o médico retorna ao leito para informá-lo sobre os próximos procedimentos:

Médico: Então, sente-se melhor?

Vinícius (com voz de bêbado): Ziiiiiiim... muito melhor!

Médico: Você tem uma pedra de tamanho pequeno para médio, de meio centímetro de diâmetro, já perto de ser expelida. O problema é que não sabemos quando isso pode acontecer.

Vinícius (com voz de bêbado): Ziiiiiiim... eu posso ver a pedra!

Médico: Nós temos duas opções: a mais simples é esperar até a pedra sair. O problema é que, como você é alérgico a anti-inflamatórios e a maioria dos analgésicos, teremos que tratá-lo com soluções mais pesadas como morfina, o que te deixa fora de combate.

Vinícius (com voz de bêbado): Ziiiiiiim... morfina!

Médico: Eu recomendo que façamos uma cirurgia para retirá-la. É um procedimento simples, parecido com uma endoscopia. Não leva mais de meia hora e amanhã pela manhã você já dever alta.

Vinícius (com voz de bêbado): Ziiiiiiim... morfina!

Juliana (fora do plano): Sim, doutor. Ele vai fazer a cirurgia.

Médico: Então vou pedir para prepararem o procedimento de internação. Quem vai operá-lo é o urologista de plantão, o doutor Jorge Cunha.

Vinícius (com voz de bêbado): Ops, George Cloney não!

Sexta-feira, Abril 17, 2009

E.R.

Cena 1: Interna, enfermaria do hospital
A enfermeira relata ao médico a situação do paciente que geme de dor em um dos leitos:

Enfermeira: O paciente ingressou esta manhã com fortes dores abdominais e nas costas, suspeita de cólica renal.

Médico (virando-se para o paciente): É, parece sério. Já ministraram Buscopan Composto e Anti-inflamatório?

Enfermeira (mostrando uma lista): O paciente é alérgico a praticamente todos os analgésicos. A saída foi medicá-lo com Tramal, único que consta na lista que ele nos entregou.

Médico (olhando para o paciente, que continua a se contoncer de dor): Pelo visto não adiantou muito, acho que ele vai precisar de algo para derrubar. Mediram a pressão e a temperatura?

Enfermeira: Sim, ambas muito baixas. Também coletamos sangue e estamos esperando a dor diminuir para levá-lo para o ultrassom.

Médico: Mas desse jeito ele vai ficar o dia inteiro aí se contorcendo. (Em seguida caminha em direção ao leito do paciente)

Médico (ao paciente): Olá, Vinícius. Já teve cólica renal antes?

Vinícius (gemendo): Já... por favor, doutor, me dê qualquer coisa pra passar essa dor...

Médico: É, parece forte mesmo. Você é alérgico a morfina?

Vinícius: Não sei... nunca tomei...

Médico: Quer arriscar?

Vinícius: Qualquer coisa, doutor... qualquer coisa...

Médico: Dona Matilde, pode preparar uma dose de morfina intravenosa.

Terça-feira, Abril 07, 2009

O cara

Essa rasgação de seda do presidente dos EUA para cima do Companheiro Lula não passa de uma grande bobagem, mas tem pelo menos uma serventia: aumentar ainda mais a dor de cotovelo dos tucanos. Thank you, Obama!

Classificação S&P:
Lula:
sobe de "B" para "B+" (mas ficaremos de olho na popularidade dele aqui na Terrinha...)

Segunda-feira, Abril 06, 2009

Drive my car

Complete a frase, mas só depois de assistir ao vídeo: "mulher no volante..."

Segunda-feira, Março 30, 2009

Cinemania

Em Paris definitivamente é um filme para quem aprecia o cinema francês. Se você, leitor deste S&P, é mais chegado nas explosões de Hollywood, não hesite em deixá-lo acumulando poeira na prateleira da locadora e parta direto para os "superlançamentos" da semana.

Agora, mesmo que você seja um brutamontes insensível, não deixe de conferir a sequencia que separei (ou melhor, o YouTube) do filme de Christophe Honoré. Uma pena que não venha com legenda. Mas imagine a situação: o cara, depressivo após o fim do relacionamento e na antevéspera de Natal, resolve telefonar para para a ex:

Classificação S&P:
Em Paris: "A-"

Quinta-feira, Março 26, 2009

Milionário

É isso aí. Para combater os efeitos da crise, inspirei-me no anúncio do pacote habitacional do Companheiro Lula e prometo escrever nada menos que 1 milhão de posts neste blog! No entanto, assim como o presidente, não vou estabelecer nenhum prazo de entrega...

Domingo, Março 22, 2009

Plantão da farmácia central

Os plantões aqui no jornal costumam ser sossegados, mas desta vez não tive sorte. Além de ter uma matéria pendente para entregar, uma série de pequenas notícias chatas me ocuparam a maior parte do dia – e parte da noite. Espero ao menos negociar logo a minha tão sonhada folga, que a firma me deve desde a igualmente tumultuada terça-feira de Carnaval...

Quinta-feira, Março 19, 2009

Maldito e pop

Faz tempo que eu estava para postar – há pelo menos um mês, para ser mais preciso – o link para a matéria que escrevi sobre o Plínio Marcos para a Gazeta Mercantil. Se você não é leitor do primeiro e mais tradicional jornal de economia e negócios do País, clique no link abaixo e leia um trecho da loooonga reportagem:

Segunda-feira, Março 16, 2009

Tombo

Honramos uma dívida de um ano e meio com o André e finalmente o levamos à praia neste fim de semana. Da última (e única) vez em que esteve próximo ao mar, ele só pôde contemplar a vista através da barriga da mãe, por volta do quinto mês de gravidez. Agora, que conhece bem a sensação de enterrar os pés na areia e, principalmente, de se chocar com a água salgada e interminável, não deve mais nos dar sossego enquanto não voltarmos.

Quarta-feira, Março 11, 2009

Risos

"Finalmente descobri um defeito nela", disse ele, sobre a garota. "A risada, você viu que risada mais horrível ela tem?", perguntou-me.

"Pra dizer a verdade, acho que não reparei", eu disse.

É claro que havia reparado. E antes dele, talvez. Era uma gargalhada entrecortada, de alguém que parece perder o ar no meio do ato, no ápice do prazer. Era de fato incômoda e nem um pouco compatível com o sorriso que costumava ostentar quando nos cumprimentava, um riso misterioso e convidativo.

A garota era bela, não a mais chamativa, digamos assim, do lugar, mas a que conseguia despertar mais atenção pela inteligência, simpatia e, claro, pelo conjunto físico, a começar da tez clara e dos olhos claros e revoltos.

Meu amigo estava de olho nela há tempos, e me passava as impressões que obtinha ao longo do tempo: solteira, meiga, boa de conversa e um tanto insegura – o que poderia facilitar uma aproximação de alguém também inseguro, como ele. O excesso de qualidades, porém, mais parecia impedi-lo de seguir em frente e conquistá-la.

Sim, pois a paixão logo se tornaria uma idolatria que a deixava mais e mais distante dele, um rapaz também dotado de qualidades, mas tímido o suficiente para idealizar uma musa inalcançável. A mim, ao contrário, não faltava intimidade com o sexo oposto, e por mais de uma vez pensei em tomar-lhe à frente na conquista. Se não o fiz, foi porque o desejo pela garota não suplantava a amizade por ele – e até hoje nenhuma garota valeu uma traição dessa natureza. Mas não perdi a oportunidade de lhe provocar ciúmes e, quem sabe desta forma, estimular algum tipo de atitude.

Foi a partir do defeito, contudo, que ele pareceu reunir coragem para abordá-la de forma mais objetiva, digamos assim, embora as interrogações somente aumentassem.

"Acho que não conseguiria suportar ao meu lado uma mulher com uma gargalhada dessas", justificava. Se no início pareceu-me apenas mais uma desculpa para legitimar a falta de ousadia, quanto mais comentávamos sobre o inconveniente defeito, mais lhe dava razão. A ponto de eu mesmo mal conseguir me manter perto dela.

Os dois agora pouco se falam. Creio que o tempo da conquista passou para ambos. Ele me parece bem e nunca menciona o nome dela quando conversamos. Mas, não sei, algo me diz que meu amigo ainda gostaria de deixá-la rir por último.

Segunda-feira, Março 09, 2009

"Felômeno"

Incrível como, mesmo gordo, velho e esfolado por contusões, Ronaldo consegue ser melhor do que 99% dos atacantes em atividade no Brasil – salvam-se apenas Borges e Washington, do meu tricolor. Um gênio.

Classificação S&P:
Ronaldo: "A"

Segunda-feira, Março 02, 2009

Sexo e eu

Fiquei com a péssima sensação de ter perdido duas horas e meia do meu fim de semana após assistir no DVD à versão cinematográfica da série Sex and the City. O punhado de clichês e futilidade pode até dar certo no formato de 30 minutos para TV, mas não sobrevive como filme, ainda mais com toda essa duração, que mais pareceu um resumão mal feito de uma das temporadas da série. O fiasco só me faz comprovar a tese de que, ao contrário do que se diz por aí, a televisão continua pobre pobre do ponto de vista criativo, e ainda precisa comer muito arroz com feijão se quiser se comparar com o cinema.

Classificação S&P:
Sex and the City: "C-"

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Rebobine, por favor

Diálogo na locadora, em pleno domingo de carnaval:

– Por favor, será que eu poderia entregar esse filme na terça-feira em vez de amanhã?
– Lançamentos têm de ser devolvidos no dia seguinte.
– Eu sei, mas como eu tenho filho pequeno e preciso trabalhar na terça, tenho receio de alugar e não conseguir assistir aos dois filmes.
– Lançamentos têm de ser devolvidos no dia seguinte. Mas o senhor pode devolver o outro filme, que não é lançamento, na terça.
– Mas já são quase dez da noite! E você tem pelo menos outras cinco cópias desse filme!
– Se o senhor acha que não vai ter tempo de ver, é melhor não alugar.

O final dessa história é interativo. Escolham a melhor resposta e adivinhem qual eu dei:

a) Tem razão, acho que deixarei o filme aqui. Muito obrigado pela sugestão e boa noite!
b) Então, porque você não pega esse filme e enfia... de volta para a prateleira, para que outra pessoa possa alugá-lo?
c) Não, acho que vou levar mesmo assim e, se for o caso, pagar mais uma locação...
d) n.d.a.
e) f.d.p.

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Rambo na Sapucaí

É impressão minha ou as "musas" do carnaval estão cada vez mais parecidas com travestis? Para onde foram as mulheres de verdade, sem silicone e músculos de Stallone? É por essas e outras que há muito deixei de assistir ao desfile das Escolas de Samba. Mas, claro, não perco a apuração por nada...

Sábado, Fevereiro 14, 2009

Picasso

Para aqueles que duvidam se o futebol pode ser considerada uma forma de arte, que tirem suas próprias conclusões:

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

Sarney e eu

Não deve ter sido por acaso que a vitória do senhor feudal e dublê de escritor José Sarney na eleição para a presidência do Senado tenha ocorrido na mesma semana em que entrego o meu cargo de conselheiro do Edifício Firenze.

Assim como o ex-presidente da República, minha performance política foi pífia, mas as semelhanças acabam por aí, já que minha gestão foi honesta, o que já não se pode afirmar com convicção do novo mandatário do Senado. Também devo dizer que ao menos soube largar o osso no momento certo – estou de mudança do prédio – enquanto Sarney parece ser do tipo que se manteria como conselheiro mesmo sem morar no edifício...

Classificação S&P:
Conselheiro Vinícius: "C"
José Sarney: "D+"

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Literatura

Ah, se eu escrevesse diálogos como esse...

- Quantos anos você tem, Chaves?
- Oito, por quê?
- É que eu não entendo como é que em tão pouco tempo se consegue ficar tão burro!
- Pro senhor demorou mais?

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Oposição, cadê você?

 Jose_serra_alckmin Para variar, a oposição perde uma grande oportunidade para jogar, ou melhor, tirar um pouco de areia do caminhão de popularidade do governo Lula. Até o momento, não vi nenhuma voz tucana ou demo se levantar realmente contra o Companheiro por conta das demissões e da parada brusca na economia provocadas pela crise.

A culpa não é do governo? A crise vem de fora? Todas as medidas para conter os efeitos no País já foram tomadas? É verdade, mas como diria o sr. Madruga, "e o Quico?" Política não é uma ciência exata e quem está de fora do poder precisa se aproveitar de momentos como esse para mostrar seu valor. Como?

1) Metendo o pau no governo a qualquer notícia negativa que sair nos jornais, o que, dadas as manchetes recentes, não me parece muito difícil;

2) Apresentando soluções, nem que sejam estapafúrdias e sem valor prático. Afinal, quem está na oposição não precisa fazer nada mesmo;

3) Colocando o rosto do "salvador da pátria" na rua, ou seja, nos jornais e na TV.

Enquanto o Vampiro Serra e o Frutare de Chuchu Alckmin ficam bricando de casinha no Palácio dos Bandeirantes, Dilmão Rousseff já saiu à caça de eleitores, e devidamente plastificada. E não me peçam para comentar como ficou o visual da mãe do PAC. Espero apenas que a reforma na ministra não tenha sido bancada com os parcos recursos do programa do governo...